White Shark

White Shark
Foto National Geographic

terça-feira, 27 de março de 2012

Predador em perigo

A prática cruel do shark finning, isto é, retirar as barbatanas de tubarões, atirando seus corpos mutilados ao mar, tem origem dinástica.  No período do ano 960 ao de 1279, durante a Dinastia Sung, uma pequena elite chinesa passou a consumir um tipo de macarrão gelatinoso, feito a partir da cartilagem das nadadeiras de tubarões. Essa iguaria ficou conhecida como “sopa de barbatana de tubarão”.
Naquele tempo o consumo dessa sopa era tão restrito que nunca poderia se tornar uma ameaça à espécie.  Porém, o prato acabou se popularizando durante a famosa Dinastia Ming quando um navegador chinês, chamado Cheng Ho, trouxe da África uma enorme quantidade de barbatanas de tubarões,  descartadas pelos pescadores africanos que só apreciavam a carne do animal.  A partir daí o prato ganhou popularidade, sendo oferecido, com frequência, nos banquetes formais oferecidos pela elite dominante.
O quadro mudou quando Mao Tsé-Tung, do Partido Comunista Chinês, assumiu o poder em 1949.  O prato, considerado politicamente incorreto por fazer parte dos hábitos de uma elite, acabou sendo desaprovado pela Revolução Cultural.  Porém, com novos argumentos de que a barbatana de tubarão teria propriedades afrodisíacas e benéficas à saúde humana, acabou sendo dissociado do costume elitista.  Ainda sim, o consumo ficou restrito ao mercado dito “terapêutico” (não há provas científicas de suas propriedades medicinais). 
O cenário se alterou novamente no final dos anos 80, quando as mudanças culturais e econômicas deram início a uma transformação na China.  Uma nova classe média e uma nova classe alta surgiram.  Com elas, cresceu o hábito de consumo de sopa de barbatana de tubarão.  Desde então, o prato passou a ser servido também em banquetes, recepções e jantares de negócios.  Mais de 300 milhões de chineses ascenderam às classes média e alta graças ao forte crescimento econômico do país e abraçaram um dos símbolos da antiga nobreza, a sopa de barbatana de tubarão.  Em virtude disso, a demanda explodiu, elevando a procura e fomentando o mercado de barbatanas. 
Foto:  OceanaLX

Antes, a pesca de tubarão, que sempre foi uma atividade lícita, era direcionada a sua carne, sendo as barbatanas somente mais uma parte do animal a ser aproveitada.  Porém, hoje, o principal são justamente as barbatanas, valorizadas pela explosão de consumo e pela facilidade de se transportar e conservar. Elas  valem bem mais do que um tubarão inteiro!  Em virtude disso, o animal muitas vezes é capturado apenas para a retirada de suas barbatanas.  Então seu corpo mutilado, muitas vezes vivo, é atirado ao mar. Como um barco comporta uma enorme quantidade delas, dispensando refrigeração, a prática vem se tornando abusiva e preocupante.  Estima-se que, atualmente, mais de 100 países estão envolvidos no finning, incluindo o Brasil, matando cerca de 70 milhões de tubarões por ano!
Este tipo de pesca é predatória e insustentável, colocando em risco a sobrevivência das populações de tubarões, o que afetará, inevitavelmente, a nós, seres humanos.  Infelizmente, o homem tem dificuldades em vislumbrar o futuro e perceber que preservar é manter o meio sustentável.  Então, há de se pensar nas próximas gerações!  O que será de nossos descendentes se não houver mais tubarões nos mares?  Quando há um desiquilíbrio na cadeia alimentar, todas as populações daquele ecossistema e as que dele dependem (o homem, por exemplo) são afetadas.  A cadeia alimentar começa com organismos autotróficos como as microalgas fotossintetizantes nos mares, componentes do fitoplancton, que é responsável pela maior parcela de oxigênio gerado e de gás carbônico absorvido no planeta.  O fitoplancton serve de alimento para o zooplancton, composto de animais microscópicos e larvas de peixes, crustáceos, entre outros animais, que por sua vez alimentam pequenos peixes como as sardinhas.  Peixes maiores, como o atum, alimentam-se das sardinhas e de outros pequenos peixes. Já os “top” da cadeia alimentar, como tubarões e baleias, comem os peixes maiores.  Os corpos mortos de qualquer animal marinho e suas fezes são decompostas por bactérias e transformadas em matéria inorgânica que será utilizada pelo fitoplancton, reiniciando a cadeia.  Os tubarões têm como um dos seus principais alimentos as focas e peixes de grande porte, que sem o controle natural imposto pelo grande predador, as populações de peixes menores podem ser drasticamente comprometidas, afetando diretamente a pesca.  Temos que nos ater à ideia de cadeia e de que a reação não para por aí, podendo chegar até a base, o fitoplancton!


                 Foto: madmermaids.com

Felizmente, hoje há diversas leis que coibem esta prática.  No Brasil há a Portaria nº 121/1998 que proíbe o descarte, no mar, das carcaças de tubarões que tiveram suas barbatanas retiradas, e permite apenas o transporte a bordo ou o desembarque de barbatanas em igual proporção ao de carcaças. Para verificar essa proporcionalidade, o peso total de barbatanas não pode exceder 5% do peso total de carcaças. Já nos EUA, a lei é mais simples e objetiva: exige-se que todos os tubarões capturados legalmente em águas norte-americanas sejam desembarcados com suas nadadeiras íntegras e no corpo do animal, o que não deixa qualquer margem de dúvida.   Alguns estados americanos proíbem a comercialização das barbatanas de tubarão.  
O presente artigo não tem como objetivo apenas denunciar a sangrenta prática do finning, ele também tem o intuito de informar e trazer à luz a importância de preservar uma espécie e, consequentemente, à proteção de todo um ecossistema, mantendo nossos mares saudáveis.  Graças a um pedaço da costa sul da África, que forneceu alimento aos sobreviventes de uma grande catástrofe climática entre 195.000 e 123.000 anos atrás, o Homo sapiens pode continuar a andar sobre a crosta terrestre.   
Na realidade, a natureza, por mais agredida que seja, ela se modificará e o planeta continuará, o que não vale para a raça humana.  Portanto, preservar nossos mares é a chave para garantir nosso futuro.

(c)2012 Flavio Porto
Fontes bibliográficas:
GANME, Gabriel & SZPILMAN, Marcelo. Por que os tubarões estão desaparecendo dos oceanos. MERGULHO: Grupo1 Editora, ano 15, nº 183, p. 56 -61, outubro de 2011.
SZPILMAN, Marcelo. INSTITUTO AQUALUNG, institutoaqualung.com.br/FINNING.html, 15 de fevereiro, 2012.
MAREAN, Curtis W. NATURE, www.nature.com, 15 de fevereiro, 2012.

sábado, 29 de outubro de 2011

Classificação Científica do Tubarão Branco

Reino:  Animalia
Subreino: Metazoa
Filo: Chordata
Grupo: Vertebrata
Superclasse: Pisces
Classe:  Chondrichthyes
Subclasse: Elasmobranchii
Superodrem: Lamniformes
Família: Lamnidade
Gênero: Carcharodon
Espécie: Carcharodon carcharias

sábado, 22 de outubro de 2011

Injustiçado por Hollywood

O medo de tubarões é um fenômeno recente, pois tomar banho de mar no início do século XX ainda era tido como uma atividade excêntrica no ocidente, portanto, encontros com o animal vivo eram raríssimos, mas o sentimento foi bastante fomentado em 1975 com a estréia do filme "Tubarão" (Jaws) de Steven Spielberg.  O filme, que mostrava uma fera voraz e com um apetite peculiar por seres humanos, desencadeou uma matança generalizada pelos oceanos do mundo.  Muitos caçaram e mataram esses animais implacavelmente com a desculpa de que eram monstros predadores de homens.

Poster do filme "Tubarão"
A realidade é bem diferente, já que o "Grande Branco" não vê o homem como sua presa, pois ele prefere uma dieta rica em gorduras o que é escasso no homem, mais magrinho se comparado a focas, leões e elefantes marinhos, por exemplo, seus "quitutes" prediletos.  O problema dos ataques a humanos é que o animal comete um equívoco, às vezes por culpa inconsciente da vítima que foi imprudente o bastante para nadar junto com sua comida.  Infelizmente, o jeito do tubarão em saber se o indivíduo, seja ele animal ou humano, tem bastante valor nutritivo, é mordendo, o que, para esta fera cheia de dentes grandes e muito afiados pode levar a uma hemorragia fatal se não houver um socorro imediato.

Quando uma pessoa é atacada pelo grande branco, normalmente ele não volta após a primeira mordida, já que, em 90% dos casos, esses ataques acontecem por erro de identificação ou invasão de território.  Como já dito, em caso de dúvida, ele precisa morder para saber se realmente "aquilo" faz parte de sua dieta.  Para não ser vítima de um desses, primeiro deve-se evitar mergulhar e nadar em áreas sabidamente frequentadas por eles.  Segundo, como já dito anteriormente, nunca, NUNCA, nadar com sua refeição!  Nadar em dupla ou em grupos também ajuda a afastar o interesse dos tubarões em geral.

Toda esta fobia e pânico deve-se, em grande parte, ao filme de Spielberg.  Tanto que o autor do livro no qual se baseou o filme, Peter Benchley, trabalha hoje protegendo o Branco e educando as pessoas sobre seu comportamento.  Porém, isto ainda não contribuiu o bastante para abrandar a fobia e nunca trará de volta tantos indivíduos caçados e assassinados de forma descabida e injusta.  

Por Flavio Porto

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Frágil Fera

O grande predador, imponente, ameaçador.  Temido e respeitado, a fera dos mares pede socorro.  O "Grande Tubarão Branco" está ameaçado.  Perseguido por caçadores de troféus e presa de imensas redes de pesca, o grande peixe corre perigo.  Topo da cadeia alimentar dos mares, seu declínio representa o início de um grande desequilíbrio ecológico que afetará diretamente o homem.